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Depois de Hamilton Libório Agle, agora foi a vez de Cilene Bordezan ter a prisão preventiva substituída por medidas cautelares pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A ex-secretária de Bauru foi liberada no âmbito da Operação Cavalo de Troia, que investiga suspeitas de fraudes na licitação bilionária do lixo no município. Assim como Hamilton, Cilene deverá cumprir restrições determinadas pela Justiça.
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) concedeu liberdade a Hamilton Libório Agle, ex-presidente da Estre Ambiental, investigado na Operação Cavalo de Troia, que apura suspeitas de fraudes na licitação do lixo em Bauru, estimada em R$ 5,2 bilhões.
A prisão preventiva foi substituída por medidas cautelares. Hamilton deverá comparecer mensalmente à Justiça, não poderá manter contato com outros investigados ou testemunhas e está proibido de deixar o país, entre outras restrições.
RELEMBRE O CASO
A Operação Cavalo de Troia foi deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo, por meio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), em 16 de outubro de 2026, para investigar suspeitas de corrupção, fraude em licitação e favorecimento empresarial em Bauru.
O foco da investigação é a concessão dos serviços de manejo de resíduos sólidos urbanos, conhecida como licitação do lixo, cujo contrato foi estimado em aproximadamente R$ 5,2 bilhões, com prazo de 30 anos.
A apuração aponta suspeitas de articulação entre empresários e agentes públicos para favorecer interesses empresariais no processo. Entre as suspeitas estão o financiamento de atividades ilícitas, cooptação de servidores e interferência em pareceres técnicos.
COMO A OPERAÇÃO COMEÇOU
A investigação teve início a partir de apurações envolvendo a Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis (Ascam), contratos com a Prefeitura e suspeitas de ameaças a trabalhadores. Durante o monitoramento de conversas telefônicas, o Ministério Público identificou indícios de articulação para interferir também na concessão dos serviços de coleta e destinação do lixo.
Em 9 de setembro, o Gaeco deflagrou a primeira fase da Operação Cavalo de Troia, com cumprimento de mandados de busca e apreensão, prisões e afastamento de servidores. O nome da operação faz referência à suspeita de que pessoas com vínculos com a empresa interessada teriam ocupado posições estratégicas dentro da administração municipal para influenciar o processo.
PRINCIPAIS DESDOBRAMENTOS
– 9 de setembro: primeira fase da operação, com prisões de investigados, buscas e apreensões.
– 18 de setembro: a Justiça converteu em preventivas as prisões de cinco investigados e decretou a prisão de um consultor que estava foragido.
– 25 de setembro: o Ministério Público apresentou denúncia contra seis pessoas, apontando suspeitas de organização criminosa, corrupção e fraude em licitação.
– 16 de outubro: uma nova fase levou à prisão preventiva de Renato Purini, secretário de Governo e marido da prefeita Suéllen Rosim. Houve também buscas na Prefeitura e na residência do casal.
– 29 de outubro: o STJ concedeu liberdade a Hamilton Libório Agle, substituindo a prisão por medidas cautelares.
– Na sequência: Cilene Bordezan também teve a prisão substituída por medidas cautelares.
QUEM APARECE ENTRE OS INVESTIGADOS
Entre os principais nomes estão Hamilton Libório Agle, ex-presidente da Estre Ambiental; Cilene Bordezan, ex-secretária municipal de Meio Ambiente; Vitor João de Freitas Costa, ex-secretário de Negócios Jurídicos; Sara Moura de Jesus, ex-secretária-adjunta de Meio Ambiente; e outros representantes da empresa e consultores.