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O professor de Educação Física e nutricionista Bruno Righetto, de 29 anos, embarca para um dos maiores desafios esportivos de sua vida neste final de semana: a Maratona de Buenos Aires, na Argentina. Natural de Bauru, ele vai encarar os 42 quilômetros poucos anos depois de viver uma realidade em que voltar a andar e praticar esportes era considerado improvável.
A história começou em 2019, quando Bruno sofreu um grave acidente de carro. Durante a noite, um motorista que havia entrado na contramão de uma rodovia, com os faróis apagados, bateu de frente contra o veículo em que ele estava. O acidente provocou lesões graves e deu início a um longo processo de recuperação.
Bruno passou por pelo menos nove grandes cirurgias: cinco na perna, duas no abdômen, período em que chegou a ficar ostomizado, e duas no braço. Durante aproximadamente dois anos, sua rotina foi dividida entre a cama, a cadeira de rodas e a bengala.
Na época, ele era estudante de Educação Física e concluiu a graduação pela UNESP em 2019, contando com o apoio de professores e colegas. Segundo Bruno, os prognósticos médicos indicavam que seria muito difícil voltar a andar e que a prática esportiva seria ainda mais improvável.
A reabilitação, porém, tomou outro caminho. Além de recuperar a capacidade de caminhar, Bruno voltou a praticar exercícios e encontrou na corrida de rua uma das principais ferramentas para reconstruir sua vida. Desde então, participou de duas edições da Corrida Internacional de São Silvestre e completou quatro meias maratonas.
A preparação para a Maratona de Buenos Aires tem sido feita respeitando os limites impostos pelas diversas intervenções cirúrgicas. Para Bruno, no entanto, a prova representa algo que vai muito além do resultado no cronômetro.
Hoje, ele atua como docente no Unisagrado e também como professor substituto na UNESP. Depois do acidente, decidiu aprofundar a formação acadêmica com mestrado e doutorado, motivado também pela experiência que teve durante o próprio processo de reabilitação.
A vivência fez com que Bruno passasse a enxergar o cuidado de uma maneira mais ampla. A proposta, segundo ele, é levar para a formação de novos profissionais de Educação Física não apenas conhecimento técnico, mas também empatia e atenção ao ser humano durante os processos de recuperação.
A formação em Nutrição também passou a integrar essa perspectiva de cuidado integral.
Neste domingo (20), quando estiver na linha de largada em Buenos Aires, Bruno terá pela frente uma distância que representa um marco pessoal: 42 quilômetros depois de ter passado anos sem saber se voltaria a caminhar.
Mais do que uma maratona, a prova marca uma nova etapa de uma trajetória iniciada após o acidente de 2019 e construída entre cirurgias, reabilitação, estudos e, agora, desafios cada vez maiores na corrida de rua.