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O Ministério Público de São Paulo, por meio do Gaeco, pediu à Justiça a manutenção do bloqueio de R$ 20 milhões em recursos da Estre Ambiental, empresa investigada na Operação Cavalo de Troia, que apura suspeitas de corrupção e fraude na concessão do lixo de Bauru.
Em manifestação protocolada nesta quarta-feira (28), o Gaeco contesta o pedido da empresa para liberar os valores. A Estre argumenta que o bloqueio compromete o pagamento de salários e benefícios de aproximadamente 4.100 trabalhadores, além de fornecedores e outras obrigações financeiras. O Ministério Público, porém, sustenta que a empresa ainda possuía saldo bancário de aproximadamente R$ 24,9 milhões, mesmo após a retenção dos recursos.
O documento também traz acusações sobre o pagamento de propina a vereadores de Bauru. Segundo o Gaeco, o ex-secretário de Governo Renato Purini, marido da prefeita Suéllen Rosim, teria atuado junto aos parlamentares para garantir a aprovação do Projeto de Lei nº 95/2025, relacionado à concessão do lixo. Os promotores afirmam que os pagamentos teriam sido financiados pela Estre Ambiental, com o objetivo de viabilizar o projeto e conter protestos durante a sessão legislativa de dezembro de 2025. A
investigação também aponta R$ 4,096 milhões em repasses à empresa Core Intermediações, por meio de contratos e notas fiscais que, segundo o Ministério Público, simulavam serviços para encobrir pagamentos indevidos. Outro ponto destacado pelo Gaeco é a suspeita de que o esquema desenvolvido em Bauru serviria como modelo para atuação da empresa em outros municípios brasileiros. Além de pedir a manutenção do bloqueio, o Ministério Público informa que pretende instaurar procedimento específico para apurar responsabilidades da empresa na esfera civil e administrativa, com possibilidade de multas e ressarcimento aos cofres públicos. O pedido ainda depende de decisão judicial. As acusações fazem parte da investigação e não representam condenação definitiva dos envolvidos.
O trecho divulgado pelo Gaeco ainda traz a expressão “as investigações constataram o pagamento de propina a vereadores”, mas não identifica quais parlamentares teriam recebido os valores, nem informa quantias individualizadas. A divulgação dessas informações pelo Gaeco fai alvo de questionamento a uma das depoentes na CP, Gisele Moreti, presidente afastada da Ascam. O vereador Eduardo Borgo também falou o assunto.
As afirmações integram a investigação e não representam condenação ou comprovação judicial definitiva da responsabilidade dos envolvidos.
A reportagem apurou também, que a partir desta quarta-feira o advogado Roberto Ribeiro Júnior assume a defesa de Renato Purini, no lugar de Edson Asarias Silva.