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Em outros diálogos reunidos pelo Gaeco na investigação da Operação Cavalo de Troia, aparece uma referência à vereadora de oposição Estela Almagro em uma conversa entre a ex-secretária municipal de Meio Ambiente Cilene Bordezan e o executivo da Estre Ambiental Hamilton Libório Agle.
Os dois estão presos no âmbito da operação que investiga suspeitas de direcionamento da concessão dos serviços de resíduos sólidos de Bauru.
A conversa transcrita pelo Ministério Público é de 25 de agosto. No diálogo, Cilene relata a Hamilton um encontro com um jornalista identificado no documento como Jabbour, durante o qual teria apresentado o projeto da concessão.
Segundo o relato de Cilene, Jabbour teria comentado que os vereadores Márcio e Estela faziam críticas frequentes à então secretária. Na sequência, Cilene reproduz uma afirmação atribuída ao jornalista envolvendo a situação financeira de Estela.
De acordo com a transcrição, Jabbour teria dito que a vereadora morava de aluguel em um apartamento de alto padrão em Bauru, estaria com dificuldades para pagar o imóvel e teria questionado se Hamilton estaria pagando a despesa.
Na sequência, Hamilton responde:
“É, tô pagando mesmo.”
O executivo acrescenta, porém:
“Eu nunca pedi pra não levantar suspeita, eu nunca pedi a Estela pra não bater em você, né?”
***NOTA DA EDIÇÃO: O conteúdo do diálogo, isoladamente, não comprova que Hamilton efetivamente pagasse o aluguel da vereadora. A conversa registrada pelo Gaeco mostra Cilene reproduzindo uma afirmação atribuída a um terceiro e Hamilton respondendo que estaria pagando, mas o trecho não apresenta documentos, transferências bancárias ou outros elementos que confirmem a existência do suposto pagamento. A investigação deverá esclarecer o contexto da afirmação e se há outros elementos relacionados à menção feita no diálogo.
RESPOSTA VEREADORA ESTELA ALMAGRO
A assessoria jurídica e defesa técnica da vereadora e candidata a deputada estadual Estela Almagro, diante das notícias veiculadas a respeito de trechos descontextualizados de interceptações telefônicas no âmbito das investigações sobre a concessão do lixo em Bauru, vem a público esclarecer o que segue: A mudança residencial da parlamentar para o imóvel em que reside atualmente ocorreu há cerca de dois anos, decorrente de grave episódio de ameaça de morte sofrido no contexto de apurações pretéritas (caso hacker), fato público e formalmente registrado à época. Esse marco temporal é muito anterior à propositura, tramitação ou votação do Projeto de Lei da concessão do lixo no Poder Legislativo municipal. Ademais, todas as despesas de locação e encargos do imóvel sempre foram suportadas exclusivamente com recursos próprios e lícitos da parlamentar, por instrumentos contratuais hígidos, cujos comprovantes encontram-se rigorosamente documentados e à disposição das autoridades. A insinuação de que empresários investigados pudessem custear despesas da parlamentar colide com a mais elementar lógica fática e com a realidade dos autos e dos anais da Câmara Municipal. A atuação de Estela Almagro na discussão da concessão do lixo foi marcada por oposição ferrenha, pública e documentalmente comprovada: a vereadora foi uma das vozes mais contundentes contra o projeto do Poder Executivo, apresentou pedidos regimentais de sobrestamento, cobrou aprofundamento técnico, fiscalizou cada etapa e votou expressamente contra a proposta. Sustentar que quem agiu para barrar e denunciar o modelo contratual recebia subsídio de interessados na licitação afronta a coerência e os fatos. Menções e bravatas travadas em conversas unilaterais entre terceiros interceptados, sem qualquer participação, ciência ou anuência da parlamentar, configuram meras alegações desprovidas de respaldo empírico, incapazes de gerar imputação penal válida e incompatíveis com os atos reais praticados no exercício do mandato. Causa estranheza e repúdio que, em pleno período eleitoral, trechos pinçados de conversas de terceiros sejam divulgados para tentar criminalizar a conduta de uma parlamentar de oposição que sempre fiscalizou o contrato, enquanto se negligencia o exame dos atos dos agentes do Poder Executivo municipal que efetivamente elaboraram o edital, conduziram o certame e autorizaram a contratação. A defesa técnica reitera a retidão da conduta pública e privada de Estela Almagro, reforça sua inteira confiança no trabalho sério do Ministério Público e do Poder Judiciário e informa que adotará todas as medidas judiciais, cíveis e eleitorais cabíveis contra a difusão de calúnias e ilações que busquem macular sua honra e sua trajetória pública.