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Conversas obtidas pelo Gaeco e divulgadas pelos portais UOL e Estadão mostram a então secretária de Meio Ambiente de Bauru e um executivo da empresa interessada na licitação de R$ 5,2 bilhões tratando o processo como ‘nossa concessão’. Gaeco afirma ter recuperado conversas de WhatsApp entre a então secretária de Meio Ambiente, Cilene Bordezan, e Hamilton Libório Agle, executivo da Estre Ambiental.
Os dois foram presos temporariamente na Operação Cavalo de Troia, que investiga o suposto direcionamento da concessão de resíduos sólidos de Bauru, estimada em R$ 5,2 bilhões por 30 anos. A tese dos promotores é de que o direcionamento teria ocorrido desde a modelagem da concessão até a elaboração do edital, definição das exigências, acompanhamento de concorrentes e reação às impugnações.
“Meu amorzinho, nada mais da nossa concessão?”
Hamilton pergunta. Cilene responde: “Nadica da nossa concessão.”
Na mesma conversa, Cilene teria antecipado a expectativa de publicação do edital. Segundo a reportagem, Cilene teria feito essa afirmação em uma conversa familiar.
“Ele não dá um peido na Estre sem falar comigo.”
O Gaeco usa o diálogo para sustentar que a relação não seria simplesmente de uma servidora recebendo ordens da empresa: haveria interdependência, com Cilene tendo influência sobre assuntos da própria Estre enquanto, simultaneamente, comandava o processo dentro da prefeitura.
Em outro diálogo, Cilene Bordezan fala até na necessidade de ter ‘infiltrados’ na Câmara.” Ao falar sobre projetos futuros, Cilene afirma:
“A gente precisa ter um ou dois infiltrados nossos na Câmara.”
Ela se referia à necessidade de encontrar alguém que defendesse o projeto no Legislativo. Hamilton responde que seria necessário “identificar”, fazer um “mapeamento” e “aproximar” alguém.
Há ainda uma fala de Cilene sobre críticas atribuídas a uma vereadora:
“Socava! Socava com gosto! Filha da p…, fica falando da minha concessão.”
Mais uma vez aparece a expressão “minha concessão”. O Gaeco interpreta as comunicações como indicativo de que Cilene atuava não apenas como secretária responsável por um procedimento público, mas também na proteção dos interesses econômicos da Estre.
Segundo o Gaeco, representantes da Estre teriam recebido documentos do processo, acompanhado possíveis concorrentes, analisado impugnações apresentadas formalmente à prefeitura e participado da definição de estratégias que posteriormente seriam formalizadas pela própria administração municipal. Os promotores chegam a afirmar que a Secretaria de Meio Ambiente teria sido transformada em uma espécie de extensão da empresa dentro da prefeitura.
A investigação também aponta despesas pessoais, viagens, passagens, refeições, presentes e outras vantagens pagas por representantes privados a agentes públicos envolvidos no projeto. O Gaeco apura possíveis crimes de fraude ao caráter competitivo da licitação, corrupção ativa e passiva, advocacia administrativa, falsidade ideológica e associação criminosa.
A prefeita Suéllen Rosim é mencionada por terceiros nos autos, mas não é alvo da Operação Cavalo de Troia.