
Henrique Meirelles, presidente do Banco Central
Se pudermos rotular a atuação do Banco Central brasileiro ao longo desses anos poderíamos dizer que é rótulo de conservador.
Praticou uma política monetária restritiva, com elevados percentuais de depósito compulsório e elevadíssima taxa de juros.
Sua tônica foi colocar-se acima dos prognósticos mais otimistas, contrariando em determinadas ocasiões até o desejo do Presidente da Republica e da equipe econômica que atua fora do Banco Central, no que se refere a um alívio maior da economia.
Apesar desta constatação, não podemos deixar de reconhecer que neste momento de crise financeira a autoridade monetária está agindo com retidão e preventivamente.
Liberou linhas de crédito aos exportadores. Alterou legislação permitindo agir rapidamente em eventual socorro aos bancos. Liberou e reduziu os recursos do compulsório. Vem atuando forte no mercado cambial.
É evidente que o nervosismo do mercado leva alguns agentes econômicos a uma prática irracional, e quando isso acontece não há “ração” que chegue, mas de qualquer maneira, preliminarmente, dentro do que cabe ao Brasil, o indicativo é que as ações estão alinhadas com as necessidades atuais.
Espera-se que no seio do governo se admita a magnitude da crise e se necessárias, outras decisões possam ser tomadas, garantindo que o Brasil, na prática, realmente esteja mais bem preparado para enfrentar os efeitos que a crise financeira poderá nos causar.
O que está em jogo é a garantia da estabilidade de preços, sem que haja forte redução do crescimento econômico.
O Banco Central, ao menos por hora, está atendendo as expectativas.