
Estudo realizado em São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Ceará, Mato Grosso e Santa Catarina , registrou contaminação do mel comercializado nestes estados pela presença da bactéria Clostridium botulinum, em 7 % das amostras do produto, quantidade considerada significativa.
A ingestão dos esporos da bactéria Clostridium botulinium, causa o botulismo intestinal, uma das formas de transmissão do botulismo mais freqüente em crianças, especialmente no primeiro ano de vida, causando um risco para a saúde pública.
Dessa forma, no dia 19 de agosto a ANVISA (Agência de Vigilância Sanitária) publicou uma nota, recomendando que crianças menores de um ano não consumam mel, sendo da maior importância que se divulgue esta informação para todos os pais e educadores.
A recomendação da ANVISA tem o objetivo de prevenir o surgimento da doença, segundo sua diretora, Maria Cecília Martins Brito. Após debates e reuniões foi publicado o documento Informe Técnico 37, com informações e esclarecimentos sobre a questão.
Embora no Brasil não se tenha registro de casos da doença, nos Estados Unidos, só no ano passado, foram notificados 100 casos.
Crianças menores de um ano são mais suscetíveis à doença por não apresentarem flora intestinal e fatores de proteção desenvolvidos para combater a multiplicação descontrolada da bactéria e a liberação da toxina causando a doença. Adultos também poderão correr risco caso sua flora intestinal protetora esteja alterada.
A doença é grave, porém se detectada e tratada precocemente os riscos de morte e seqüelas poderão ser minimizados.
Os sintomas mais comuns do botulismo intestinal ou infantil são prisão de ventre, irritabilidade, dificuldade de sucção, dificuldade de manter o movimento da cabeça, paralisia dos membros e comprometimento respiratório.
A suspeita de um caso de botulismo deve ser notificada à Vigilância Epidemiológica local para investigação imediata.
O desafio está lançado aos produtores que, sem dúvida, precisam detectar por que, onde, quando e como ocorre a contaminação, além de estabelecer estratégias eficazes para a produção do mel que seja seguro para o consumidor. E a ele cabe o cuidado de somente adquirir o produto de boa procedência e com a certificação do Ministério da Agricultura.
A introdução de novos alimentos na rotina alimentar dos bebês deve ser realizada sob a orientação de um especialista, pois muitas dúvidas e problemas poderão ser esclarecidos, minimizados e até evitados.
Cuide-se bem e tenha uma ótima semana!
*Estudo realizado por Ragani et al.